quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Trechos de Trópico de Capricórnio, por Henry Miller.

"Não havia nada que desejasse fazer que me importasse de não fazer. Já em criança, quando não me faltava nada, queria morrer: queria render-me porque não via sentido nenhum em lutar. Sentia que nada seria provado, comprovado, acrescentado ou subtraído pelo facto de continuar uma existência que não pedira. Todos quantos me cercavam eram falhados, ou, se não eram falhados, eram ridículos."

"Descobri que o que desejara a vida inteira não fora viver - se o que os outros fazem se chama viver - e, sim, exprimir-me. Compreendi que nunca tivera o mínimo interesse em viver, mas apenas nisto que estou a fazer agora, em qualquer coisa que é paralela à vida, que, simultaneamente, faz parte da vida e a ultrapassa. O que é verdade pouco ou nada me interessa, nem tão-pouco o que é real; só me interessa o que imagino ser, o que asfixiara toda a vida a fim de poder viver. Se morrer hoje ou amanhã ser-me-á indiferente, sempre foi; o que me incomoda, o que me ulcera, é que mesmo hoje, após anos de esforço, não possa dizer o que penso e sinto. Desde a infância que só me vejo a seguir a pista desse espectro, sem gozar nem desejar nada além desse poder, dessa faculdade. Tudo o mais é uma mentira - é uma mentira tudo quanto jamais disse ou fiz fora dessa ambição... e procedi assim a maior parte da minha vida."

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Dois Corpos Que Caem

Eu lembro que algum tempo atrás, sempre à meia-noite, a tv cultura passava uma série chamada: Contos da Meia-Noite. O programa consistia em um ator ou uma atriz interpretando algum conto da literatura brasileira.
O conto que mais me chamou atenção foi: Ninho de Periquitos, de autoria do suicida Hugo de Carvalho Ramos, e interpretado pelo Antônio Abujamra. Infelizmente não consegui encontrar no youtube, portanto, segue o não menos interessante Dois Corpos Que Caem de autoria do João Silvério Trevisan, e interpretação do mesmo Antônio Abujamra.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

pensamento chicletoso

E eis que depois de escrever que Hate it Here estava na minha cabeça, fui ler a coluna do Antonio Prata, no Estadão. O tema? Coisas que grudam como chiclete. Taí:


Pensamento Chicletoso
Na maior parte das vezes é um trecho de música, mas pode ser também fala de filme, verso de poesia ou uma frase solta, sem qualquer sentido aparente - é o que, na falta de nome melhor, chamo de pensamento chicletoso. Ele chega sorrateiro, você nem percebe: quando se dá conta, já está lá, instalado no trapézio da consciência como um cunhado na poltrona da sua casa, numa tarde de domingo, grudado aos seus neurônios como chiclete na sola do sapato.

Anteontem, por exemplo, acordei de ressaca, entrei numa ducha fria e, assim que a água bateu na testa, revolvendo ideias há muito adormecidas nas catacumbas da memória, vi-me repetindo, inteirinha, a fala do vilão de um dos piores desenhos animados que já existiram, Thundercats: "Antigos espíritos do mal, transformem essa forma decadente em Mumm-Ra! O de vida eternaaaaa!". Faz quase 48 horas que, a cada 20 minutos, mais ou menos, minha vida é interrompida pela evocação maligna de "Mumm-Ra, o de vida eternaaaa!". É como um vício: cigarro mental ao qual volto inúmeras vezes, do momento em que abro os olhos até a hora de fechá-los novamente.

O texto na íntegra está aqui.

hate it here


I try to stay busy
I do the dishes, I mow the lawn
I try to keep myself occupied
Even though I know you’re not coming home

(...)

What am I gonna do when I run out of lawn to mow?
What am I gonna do if you never come home?Tell me, what am I gonna do?

I hate it
I hate it here
When you’re gone

Hate it Here é uma das minhas músicas preferidas do Wilco, e tá na minha cabeça desde que eu acordei.

É do CD Sky Blue Sky, de 2007, e dá pra ouvir um pouco de toda a discografia no site deles, aqui.

ps. a foto (linda) é da fotógrafa brasileira Elisa Mendes. tem mais no site e no Flickr dela.

sábado, 27 de novembro de 2010

Os Excêntricos Tenembaums

Quantos filmes recheados de bons atores foram um total e decepcionante fracasso? Bom, devido a consideráveis experiências ruins com times de estrelas hollywoodianas, eu fui assistir Os Excêntricos Tenembaums com receio de que fosse mais uma armadilha! Eis que o filme é uma obra prima do diretor Wes Anderson! Uma comedia ácida, profunda e acima de tudo muito engraçada!
Eu poderia passar horas escrevendo dos conflitos internos de cada personagem, de como deveriam fazer um filme de cada Tenenbaum, da atuação maravilhosa do Bill Murray, do Danny Glover, da Gwyneth Paltrow (eu quase desloco o maxilar toda vez que tenho que pronunciar Gwyneth Paltrow), dos irmãos Owen e Luke Wilson (que surpreendentemente é um dos escritores deste roteiro extraordinário), de como este é o melhor papel da carreira do Gene Hackman e de como eu me apaixonei por cada segundo deste filme!
Este filme esta na minha lista de melhores comédias de todos os tempos! Eu sou capaz de apostar um rim, como é impossível não gostar deste filme! É por causa de pérolas geniais como estas que o cinema é chamado de 7º arte!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Músicas boas, Interpretações Poderosas!

Dizem que o Chico Buarque compôs Com Açucar, Com Afeto especificamente para Nara Leão, pensando em seu timbre de voz e sua personalidade meiga. De fato, toda vez que eu ouço alguem interpretando Com Açucar, Com Afeto eu torço o nariz e acho que a pessoa deveria ser processada por falsidade ideologica!
Bom, não sei se o Chico Buarque compôs a música abaixo pensando no Pena Branca e Xavantinho, porém, a mesma estranheza me causa quando ouço esta música interpretada por outras pessoas, até mesmo quando é interpretada pelo próprio Chico. O jequismo da dupla e da viola caipira são perfeitos para o arcadismo da letra do Chico.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Paixões Platônicas

Eu andei meio ausente, porém, estou de volta! Apesar de não ser um post muito empolgante, é a minha mais nova paixão platônica: o par de olhos da garota do vídeo abaixo! That´s all folks!

Esquadros

Renato, que era de Aries e do Rio, assim como Cazuza canta Esquadros da Adriana Calcanhoto, com ela: