Eu pensei em escrever sobre o pessimismo de Schopenhauer, sobre os mitos e as religiões que ainda assolam o mundo em pleno séc. XXI, sobre reptilianos e como algumas teorias conspiratórias preenchem minha vida, sobre ameaças socialistas, mas desisti. Vai ficar pra outro dia. A procrastinação é o mal do século e minha melhor amiga. Vou escrever apenas que todos os seres do sul do universo deveriam assistir Pulp Fiction algumas dezenas de vezes.
Esta cena é despretensiosa, pouco importante para o roteiro mas fundamental para uma boa vida. Aqui vai.
A música é Chuck Berry - You can never tell
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Pulp Fiction
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Bernardo Quintão
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
Nostalgia, paradoxo e desejo.
O filme é The Four horsemen of the Apocalypse (1921), de Rex Ingram.
O cara é Rudolph Valentino, considerado o primeiro grande galã do cinema.
A música é La Cumparsita, um tango muito famoso.
O tango é muito bom, mas foi "colado" no vídeo pela pessoa que fez a edição e postou no youtube, pois o filme é mudo. Eu nunca vi este filme inteiro, na verdade não conheço nenhuma obra desse diretor e não tenho nenhum interesse por filmes velhos. A dança em si não é nada espetacular, não há nenhuma pirueta mirabolante ou duplo twist carpado invertido. Mas há algo de muito mágico neste vídeo, há algo que desperta emoções fortíssimas.
Os primeiros 10 segundos me fascinam. Dizem por aí que a dança é uma expressão vertical de um desejo horizontal. Eu não concordo ipsis litteris mas acho que essa expressão é muito feliz ao traduzir a dançar como um ato de desejo.
Desejo sexual mesmo, que pra mim fica claro no momento em que Valentino, com todo seu garbo, puxa a moça junto de si fazendo com que ela se entregue a ele, literalmente. Neste exato instante ela fica na ponta dos pés, e todo o seu equilíbrio está no parceiro. É um simbolismo muito forte e me traz muitas analogias a mente.
A cena segue numa catarse simbólica. O ambiente enfumaçado do que parece ser um cabaré está repleto de coadjuvantes, que sem nenhum motivo aparente para estarem ali, contribuem aplaudindo, sorrindo, tocando...
Este vídeo me leva a pensar tantas coisas únicas cada vez que o assisto que por alguns instantes chego a sentir que eu estive lá, junto àquelas pessoas que já devem estar, há muito, mortas; assistindo aquele casal dançando seu tango que poderia simbolizar toda uma vida.
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Bernardo Quintão
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