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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Viagem no tempo





Este Brasil próspero e ufanista que estamos vivendo é fruto de uma virada no cenário econômico internacional: Basicamente a China começou a demandar commodities, o core da economia brasileira, elevando seu preço; na contra-partida, entupiu o mercado de bens tecnológicos, a maior demanda de importações brasileiras, barateando o valor destes à patamares inimagináveis na década de 80 e 90.
Cenários econômicos internacionais extremamente favoráveis para o Brasil não são novidades, experimentamos diversos "boom´s" de crescimento econômico ao longo da nossa história! O mais recente deles, aconteceu no fim da década de 60 e o começo da década de 70! O Brasil aproveitou uma alta de liquidez no mercado internacional para financiar um modelo de crescimento econômico pautado no Estado como principal agente econômico.
Nesta época surgiram os monstros estatais e a estrutura corrupta de favorecimentos políticos a empresas que suportavam um regime mono-ideológico. Surgiram grandes obras públicas, e o crescimento de empreiteiras cujo os proprietários eram do circulo de amizade do governo militar, além de uma intensa propaganda nacionalista, exaltando os feitos do Brasil.
Nesta época o Brasil construiu a maior hidroelétrica do planeta, 2 usinas nucleares, a rodovia transamazônica, foi tri-campeão do mundo e vendia a sensação que finalmente o Brasil estava vingando seu eterno potencial.
O que aconteceu é que, durante o "milagre econômico", o Brasil não dinamizou sua economia, não criou um mercado interno de consumo, o modelo estatal de baixa competitividade e remuneração garantida criou monstros corporativos de corrupção e ineficiência, as industrias nacionais com altas regalias se mostraram pouquíssimo competitivas no mercado internacional. Enquanto o mundo inteiro falava de globalização, exportações e desenvolvimento tecnológico, o Brasil estava ensimesmado em um projeto de desenvolvimento atrasado baseado em conceitos da década de 30!
Quando veio a crise do petróleo, a escassez de crédito e a consequente alta de juros internacionais, o Brasil estava com uma economia ultrapassada, uma divida gigantesca, e uma ré no seu desenvolvimento que durou mais de 1 década.
O que nós estamos fazendo com este novo ciclo de prosperidade? Nós estamos fazendo grandes e ineficientes obras publicas: de 2006 para 2011, subiu de 5 para 11 as construtoras com lucros acima de 1 bilhão de reais, 60% destes ganhos oriundos de projetos estatais, a elaboração de projetos megalomaníacos: 1 copa do mundo e 1 olimpíada em 6 anos. Reduzindo a dinâmica da economia brasileira, favorecimento de empresários com circulação próxima do planalto, uma dominação ideológica, estrutura politica extremamente corrupta.
O Brasil esta vivendo um bom momento? Sim! Mas ainda estamos atrás do Uruguai, do Chile e da Polônia na divisão per-capita do PIB (4 posições a frente do GABÃO!), ainda estamos em franca decadência nos rankings de dinamismo econômico, inovação tecnológica e de competitividade econômica! Ainda temos um dos piores sistemas de ensino, uma das piores distribuições de renda, os maiores juros do mundo, inflação na casa dos 7%, a estrutra politica e o custo de vida mais caros do mundo.
Resumo da ópera, ainda somos pobres, pouco eficientes, ignorantes e pagamos muito caro por isto! O que nós estamos comemorando afinal?
O que todas estas pessoas que estão maravilhadas com o Eike Batista, com o Brasil na 6º posição das maiores economias e todas estas besteiras papagaiadas a torto e direito vão pensar quando houver uma virada no cenário econômico global e nós tivermos que enfrentar, de novo, a década de 80!??!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"De costas para o futuro"

Achei este artigo no Blog do Senador Cristovam Buarque, ele foi escrito pelo economista pernanbucano Sergio C. Buarque. O artigo desmascara a lógica nefasta das políticas públicas no país! Vale muito a pena ler!

"O Brasil é um país voltado para o passado, vive o presente, mas olhando para (e penando com) as dívidas acumuladas no passado. O “país do futuro” parece se recusar a virar a cabeça para as próximas décadas e as novas gerações. As maiores energias despendidas pela sociedade e pelo Estado são para saldar nossas várias dívidas – financeiras, sociais e até políticas – acumuladas ao longo de décadas de descontrole econômico e descaso social, ampliadas pelo excesso de generosidade dos nossos legisladores."

Quem se interessar pela versão completa: http://buarque.org.br/?p=8823