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domingo, 16 de janeiro de 2011

Soneto do amor total

Lindo.

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do
que pude.

(Vinícius de Moraes)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

fôlego dos românticos


Vinicius de Moraes faria hoje, se vivo, 97 anos.
Estaria ainda um broto.

Copio Manuel Bandeira: Vinicius "tem o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos (sem refugar, como estes, as sutilezas barrocas) e, finalmente, homem bem do seu tempo, a liberdade, a licença, e esplêndido cinismo dos modernos".

Sou suspeita para falar. Desde o Jardim II, no Bom Jesus da Aldeia, ouvia as palavras do poeta sem nem entender o que era poesia. Quando aprendemos a ler, o ritual antes de todas as aulas era a leitura, em voz alta, de São Francisco.

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho

Soube mais tarde, também, que o Soneto da Fidelidade foi o responsável pelo namoro dos meus pais, aos 15 anos. Minha mãe sempre foi louca por poesia e, para impressioná-la, meu pai decorou e declamou no pátio do prédio. Uma graça!

Não menos importante, mas antes de tudo isso, muitas sonecas foram embaladas por A Casa, no colo da mãe. Minhas e de muita gente.
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada

Poderia passar tardes e mais tardes, ao sol, colando trechos de Vinicius. Com as palavras dele, também, senti muita tristeza, com Ausência e um namoro abestado.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz

Mas termino com uma clássica: Meu tempo é quando.