domingo, 29 de abril de 2012

às moscas

Construímos sonhos de autorrealização profissional, afetiva e material. A expectativa com nossa própria grandeza ocupa grande parte de nossos devaneios. O sentimento da fragilidade do mundo sempre me perseguiu desde a infância. Se os psicanalistas estiverem certos, e tudo que é primitivo é indelével, esse sentimento constitui minha substância mais íntima. Que inveja eu tenho das moscas! Livres, voando pelo mundo, sem saber de si mesmas. (Pondé)

We are your friends

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O dia do Basta!

O QUINTO DOS INFERNOS

Durante o Séc.XVIII, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo que fosse produzido e correspondia a 20% (ou seja,1/5) da produção e recaía, principalmente, sobre a nossa produção de ouro.O ¨Quinto¨era tão odiado pelos brasileiros que, quando se referiam a ele, diziam: O Quinto dos Infernos. Hoje estamos próximos de pagar 2/5.

Uauuu... e lá vamos nós, tem a turma que reclama, a que fala mal do governo, e os que falam mal da sociedade, ¨cada povo tem o governo que merece, a sociedade é que não sabe votar¨ a próposito, quem fala mal da sociedade ou esta a falar mal de si mesmo, ou esta se excluindo e falando mal de nós.

Humm.... Tá... e daí ?

Daí que, olha a oportunidade de fazer alguma coisa. Eu que sou sózinha, uma no meio de 190 milhões de brasileiros, posso somar com voce, com ele,com ela, e assim deixamos de ser um eu sózinho a falar com as paredes.

Para saber mais: http://www.diadobasta.tk/.

Dia 21 de abril, em Curitiba, na Boca Maldita as 10:00h, acontece uma manifestação pacífica, apartidária, sem filiações com sindicatos ou qualquer outra instituição, o Dia do Basta acontece em todo Brasil.

Reivindicações:

- Voto Aberto no Congresso
- Pelo Fim do Foro Privilegiado
- Corrupção Ser Considerado Crime Hediondo

Na última manifestação que aconteceu em Curitiba, haviam uns míseros gatos pingados que acreditam que uma pequena ação é melhor do que nenhuma, porém, quanto maior a adesão nossa, a sociedade no caso, maior é a legitimidade do movimento, por isso, venho convida-lo a dar corpo ao Dia do Basta, talvez consigamos surtir algum efeito, talvez não, mas tentar é melhor do que nada fazer.

Boca Maldita, dia 21 de Abril, 10:00h.

Sábado, para não atrapalhar o transito por que nosso negócio não é atrapalhar, 21 de abril dia da Inconfidência Mineira. Há sim, foi o dia em que um cara chamado Joaquim José da Silva Xavier revoltou-se com a execução do "derrama" e o domínio português.

Como todo e-mail, óbvio e evidente, vou pedir para você convidar seus amigos, inimigos, gato, cachorro, periquito e papagaio, pode ainda imprimir algumas folhas e entregar para alguém que você não sabe o end. eletrônico, não precisa ser muito, pouco já esta de bom tamanho.

P.S :Ninguém será enforcado por participar do Dia do Basta.


Jacira Fortes Kawakami Tristão



Obs: Jacira é uma senhora que se irritou com as minhas constantes reclamações deste país e vai, apesar de seus afazeres e sua infinita preguiça, participar do dia do basta! E mais do que participar, vai imprimir a mensagem acima e distribuir.

Isto tudo porque além de irritada com minhas reclamações, ela anda mais irritada ainda com a enorme conivência da maioria de nós brasileiros com a baixa produtividade, ineficiência, descaso, desrespeito e desonestidade da sociedade como um todo!

Creio eu que se a minha mãe, com seus mais de 50 anos, que enfrentou com 3 filhos pequenos a década de 80 e a década de 90, não desistiu do país, é porque ele pode ter jeito e pode ficar mais próximo do ideal de sociedade que todos nós, independe de ideais, temos!


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Faith In Humanity:Fucking Restored!



Pelo que eu entendi: eles criaram vários feixes de laser´s super-poderosos que combinados em um único ponto, geraram a incrível quantidade de 1,9 (no primeiro tiro) e 2,03 (no segundo tiro) mega-joules! O que os cientistas americanos acreditam ser suficiente para iniciar uma reação de fusão nuclear e resolver todos os problemas do mundo!


Obs: Agradecimentos ao Anderson Nery, quem me deu a pauta!

terça-feira, 27 de março de 2012

Eleições

Existem muitas diferenças entre a cobertura politica nos EUA comparada com o que fazemos aqui! A principal, do meu ponto de vista, é o posicionamento das empresas de notícia!
Enquanto aqui, os editoriais se escondem atrás da falsa premissa de imparcialidade, tirando raras exceções como a Veja, nos EUA a mídia toma partido do seu candidato e expressa suas opiniões de forma objetiva.
Além disto, existe uma abertura maior dos políticos com relação aos ambientes menos hostis da mídia. O ex-candidato a presidência e senador John Kerry produziu um documentário sobre meio-ambiente, o também ex-candidato a presidência e senador John McCain fez uma apresentação hilariante, logo após perder as eleições, no humorístico Saturday Night Live.
Um evento em especifico me chama muita atenção: O jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca (WHCA)! Alguns presidentes tem aceitado participar do jantar, e aproveitar o ambiente de descontração para um discurso bem menos formal. Um exemplo, foram os stand-up´s proferidos nas duas participações do pres. Obama!
Porém, nenhuma apresentação vai conseguir ser mais engraçada que a do, não tão saudoso, ex-presidente George W. Bush! Uma incrível e surpreendente quebra de paradigma:

sexta-feira, 23 de março de 2012

whatever works


      TABACARIA
    Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, E não tivesse mais irmandade com as coisas Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada De dentro da minha cabeça, E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida. Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. Falhei em tudo. Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. A aprendizagem que me deram, Desci dela pela janela das traseiras da casa. Fui até ao campo com grandes propósitos. Mas lá encontrei só ervas e árvores, E quando havia gente era igual à outra. Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar? Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! Gênio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu, E a história não marcará, quem sabe?, nem um, Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. Não, não creio em mim. Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas! Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo? Não, nem em mim... Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando? Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas - Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -, E quem sabe se realizáveis, Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente? O mundo é para quem nasce para o conquistar E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo, Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu. Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda, Ainda que não more nela; Serei sempre o que não nasceu para isso; Serei sempre só o que tinha qualidades; Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta, E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira, E ouviu a voz de Deus num poço tapado. Crer em mim? Não, nem em nada. Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo, E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha. Escravos cardíacos das estrelas, Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama; Mas acordamos e ele é opaco, Levantamo-nos e ele é alheio, Saímos de casa e ele é a terra inteira, Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido. (Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei A caligrafia rápida destes versos, Pórtico partido para o Impossível. Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas, Nobre ao menos no gesto largo com que atiro A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas, E fico em casa sem camisa. (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas, Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva, Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta, Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida, Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua, Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais, Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê - Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire! Meu coração é um balde despejado. Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco A mim mesmo e não encontro nada. Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta. Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam, Vejo os cães que também existem, E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo, E tudo isto é estrangeiro, como tudo.) Vivi, estudei, amei e até cri, E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira, E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso); Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo E vou escrever esta história para provar que sou sublime. Essência musical dos meus versos inúteis, Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse, E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, Calcando aos pés a consciência de estar existindo, Como um tapete em que um bêbado tropeça Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada. Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta. Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada E com o desconforto da alma mal-entendendo. Ele morrerá e eu morrerei. Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos. A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também. Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, E a língua em que foram escritos os versos. Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu. Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas, Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra, Sempre o impossível tão estúpido como o real, Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície, Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra. Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?) E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. Semiergo-me enérgico, convencido, humano, E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário. Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. Sigo o fumo como uma rota própria, E gozo, num momento sensitivo e competente, A libertação de todas as especulações E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto. Depois deito-me para trás na cadeira E continuo fumando. Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.) Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
    Álvaro de Campos, 15-1-1928

quinta-feira, 22 de março de 2012

assim, simples

saímos juntos do bar. na rua as pessoas ainda se espantavam com Cass. continuava linda, talvez mais do que antes. fomos para o meu endereço. abri uma garrafa de vinho e ficamos batendo papo. entre nós dois a conversa sempre fluía espontânea. ela falava um pouco, eu prestava atenção, e depois chegava a minha vez. nosso diálogo era sempre assim, simples, sem esforço nenhum. parecia que tínhamos segredos em comum. quando se descobria um que valesse a pena, Cass dava aquela risada - da maneira que só ela sabia dar. era como a alegria provocada por uma fogueira. enquanto conversávamos, fomos nos beijando e aproximando cada vez mais.

(...)


naquele dua convidei-a para ir à praia de carro. como estávamos na metade da semana e o verão ainda não havia chegado, encontramos tudo maravilhosamente deserto. ratos de praia, com a roupa em farrapos, dormiam espalhados pelo gramado longe da areia. outros, sentados em bancos de pedra, dividiam uma garrafa de bebida tristonha. gaivotas esvoaçavam no ar, descuidadas e no entanto aturdidas. velhinhas de seus 70 ou 80 anos, lado a lado nos bancos, comentavam a venda de imóveis herdados de maridos mortos há muito tempo, vitimados pelo ritmo e estupidez da sobrevivência. por causa de tudo isso, respirava-se uma atmosfera de paz e ficamos andando, para cima e para baixo, deitando e espreguiçando-nos na relva, sem falar quase nada. com aquela sensação simplesmente gostosa de estar juntos.



a mulher mais linda da cidade, de crônica de um amor louco.
{buk}