segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Essênios II

"Sê um ser que quer, sê um ser que quer — tinham-me repetido tantas vezes nos meus tempos de estudo. — Cada vez que baixas o braço, tua energia vital evola-se do teu corpo em vôo rápido, vai juntar-se a uma força comum, a grande emergência dos reveses humanos; ela vai envenenar um pouco mais a Terra, encerrar-te com mais segurança em tua negatividade. O desespero é uma pirâmide invertida que mina os mundos! Uma máquina complexa perde facilmente suas engrenagens; portanto, sê simples, livra-te de tudo o que todas as manhãs, quando rolas na tua esteira, te faz dizer: 'Eu sou eu'; joga fora tuas couraças de forças vãs e gélidas; faz-te pequeno até te infiltrares na trama do vento, faz-te bem pequeno..."

domingo, 18 de agosto de 2013

Essênios

Todo homem deveria conhecer a terra — disse-me um dos Irmãos que nos iniciava no seu rude trabalho. — A terra não é apenas este ajuntamento de poeiras negras ou vermelhas sobre as quais o homem se desloca, a terra é um fermento, um mundo, uma multidão de pequenos seres que refletem a vida do Pai em si próprios. Uma vida que existe, e que pensa, para ser querida por Ele, por nós, a cada instante através dos éons. Em contato com o solo, pés na argila, os Irmãos de Essânia devem aprender a falar ao grão de vida do grão de vida e assim por diante, ao infinito; isto para esquecer o que conhecem de seus corpos, para modelar-se tão pequenos, tão grandes como esta partícula de existência. Este grão de vida é o Uno, e nós somos os filhos do Uno. Eis por que devemos procurar a identificação com a poeira ínfima que o vento joga em nossos olhos. A identificação é a chave da compaixão e a compaixão é a chave do Pai, a chave do Homem.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A crise é politica!

                A atual crise política, evidenciada pela efervescência das ruas, é em grande parte resultado de um processo de descaracterização dos partidos políticos no processo eleitoral. Na busca de vender o seu peixe, os partidos abandonam seus projetos e suas convicções para se pautar em estratégias de vendas.
                Nas ultimas eleições majoritárias, aquelas que decidem no plano executivo do poder os governadores e o presidente, as principais discussões e embates foram no âmbito religioso e intimo: o candidato acredita em Deus, não acredita em Deus, é a favor do casamento gay, é contra o casamento gay. Questões que os marketeiros políticos, através das malditas pesquisas de opinião pública, entenderam serem as mais sensíveis para o eleitorado. Da mesma forma os programas políticos foram elaborados através de um processo mais próximo da criação de um produto cujo o objetivo é agradar o maior numero de consumidores, do que uma proposta de governo.
                Ora, não se governa através da opinião publica. Para exercer a política, fazem-se necessárias convicções políticas. Mais necessário ainda, transformar convicções políticas em ações práticas que consigam atender as demandas da sociedade. Seriam estes os fatores que deveriam estar em jogo no processo eleitoral.  Qual a melhor proposta para a gestão da verba do governo? Qual candidato vai melhorar o processo democrático? Qual candidato tem a melhor estratégia para o desenvolvimento econômico? De que forma os candidatos pretendem aumentar o acesso à justiça? Nenhuma destas questões foram abordadas no processo político das ultimas eleições.  
                E o problema do excesso de maquiagem na política, dificulta a escolha, inclusive nos meios mais intelectualizados, que são persuadidos através de técnicas mais elaboradas.  Neste caso, os chefes de campanha se utilizam da venda de ideologia para os eleitores: tal partido é de esquerda e tal partido é de direita. Ideologia por si só não faz ninguém mais honesto ou melhor gestor público.  Votar em um candidato ou partido somente por afinidade ideológica, sem uma análise mais profunda do histórico de PRÁTICAS e das proposições políticas, é tão inútil quanto votar em um político por ele acreditar em Deus ou não. 
                O resultado do processo político atual é a falta de identificação do eleitorado com as praticas políticas. Se os eleitores decidem seus votos através da similaridade de devoção religiosa, basta ao seu candidato continuar devoto da mesma religião, para que ele atenda às demandas políticas do seu eleitorado. Da mesma forma, se você define o seu voto através da afinidade ideológica, basta seu candidato se ater à ideologia propagada, que ele esta atendendo a sua demanda política. 
                Não é a toa que os políticos mandam as favas os problemas reais do país e focam quase que exclusivamente no jogo político fisiológico. Eles foram eleitos por eleitores que também mandam às favas os reais problemas do país e votaram mesquinhamente em candidatos que levantam a sua bandeira religiosa ou política.
                Só para exemplificar que ideologia e religião tem pouca importância na escolha dos candidatos, o presidente Abraham Lincoln, o presidente mais progressistas da historia dos EUA e ícone político era do conservador partido Republicano e o presidente Lyndon Johnson, responsável por intensificar a guerra do Vietnã , era do carismático partido Democrata. 
                 O presidente Richard Nixon, também retratado como vilão na guerra do Vietnã, era um Quaker, religião extremamente pacifista, e o laureado com o Nobel da Paz Jimmy Carter,  um defensor dos direitos humanos assim como do feminismo, era um evangélico Batista, que se desligou da sua congregação ao se opor às premissas religiosas de submissão das mulheres.


                

terça-feira, 2 de abril de 2013

Um presente de Natal definitivo para a minha filha



Minha querida filha:
Todo Natal eu passo pelo mesmo problema de ter de escolher que presente dar a você.  Sei que há várias coisas das quais você certamente iria gostar, como livros, jogos, roupas etc.  Porém eu sou muito egoísta.  Sempre quis dar a você algo que iria durar mais do que alguns meses ou anos.  Sempre quis dar pra você um presente que lhe faria se lembrar de mim a cada Natal, para sempre.
Se eu pudesse lhe dar apenas um presente, o qual você pudesse carregar consigo para sempre, esse presente seria algo aparentemente muito trivial, mas que me tomou vários anos para que eu finalmente o entendesse.  Esse presente seria uma verdade aparentemente simples, porém libertadora.  E se você aprendê-la agora, essa simples verdade poderá enriquecer sua vida de incontáveis maneiras.  Mais ainda: ela poderá lhe poupar de ter de enfrentar vários problemas que já machucaram muitas pessoas que simplesmente nunca a aprenderam.
Essa verdade aparentemente simples, porém libertadora, é a seguinte:
Ninguém deve nada a você.
Importância
Como pode uma afirmação tão simples ser importante?  Pode não parecer, mas entendê-la realmente pode ser uma benção para toda a sua vida.
Ninguém deve nada a você.
Isso significa que nenhuma outra pessoa está vivendo para você, minha filha.  Ninguém está nesse mundo para satisfazer suas reivindicações.  Ninguém está vivendo em função de você.  Simplesmente porque nenhuma outra pessoa é você.  Cada pessoa vive por si própria; a felicidade de cada pessoa é tudo que ela pode sentir de forma singular e particular.
Minha filha, quando você entender que ninguém tem a obrigação de dar a você a felicidade ou qualquer outra coisa, você será libertada e nunca mais terá expectativas em relação a coisas que provavelmente nunca serão como você quer.
Isso significa, por exemplo, que ninguém é obrigado a amar você.  Se alguém a ama, é porque existe algo de especial em você que dá felicidade a essa pessoa.  Descubra o que é essa coisa de especial que você tem e se esforce para amplificá-la.  Assim você será ainda mais amada.
Quando as pessoas fazem algo por você, é simplesmente porque elas querem — porque você, de alguma forma, propicia a elas algo de significativo que faz com que elas queiram agradar você.  Elas não agem assim apenas porque devem algo a você.
Ninguém deve nada a você.
Da mesma forma, ninguém tem de gostar de você.  Se seus amigos querem estar perto de você, não é porque eles se sentem nessa obrigação; é simplesmente porque eles se sentem bem estando com você.  Descubra o que os deixa felizes e os faz se sentirem bem, e eles sempre irão querer estar perto de você, sem pedir nada em troca.
Ninguém tem a obrigação de respeitar você.  Algumas pessoas podem até mesmo ser cruéis com você.  Porém, tão logo você entenda que as pessoas não têm a obrigação de ser bondosas com você — e que, consequentemente, elas de fato podem ser más com você —, você irá aprender a evitar aquelas pessoas que podem lhe ser nocivas.  Lembre-se que você também não deve nada a elas.
Vivendo a sua vida
Ninguém deve nada a você.
Você deve apenas a você mesma a obrigação de ser a melhor pessoa possível.  Porque apenas se você for assim é que as outras pessoas irão querer estar com você e irão querer dar a você as coisas que você quer em troca daquilo que você está dando a elas.  Essa é a única maneira moralmente correta de se obter as coisas que você quer.  Nunca exija nada de ninguém.  Apenas faça por merecer.
Algumas pessoas irão optar por ficar longe de você por motivos que nada têm a ver com você.  Quando isso acontecer, procure em outro lugar as relações que você quer.  Não faça com que os problemas de outras pessoas sejam também o seu problema.
Assim que você aprender que precisa fazer por merecer o amor e o respeito dos outros, você jamais irá esperar coisas impossíveis; e, por conseguinte, jamais terá decepções.  Da mesma forma que as outras pessoas não têm a obrigação de compartilhar a propriedade delas com você, elas também não têm a obrigação de lhe devotar sentimentos e pensamentos.
Se elas o fizerem, é porque você fez por merecer essas coisas.  E aí você terá todos os motivos para se sentir orgulhosa do amor que você recebe, do respeito dos seus amigos, da propriedade que você adquiriu.  Porém, jamais pressuponha que tais coisas são fatos consumados.  Se agir assim, você irá perdê-las facilmente.  Essas coisas não são suas por direito.  Não existe algo como "ter direito" a essas coisas.  Você sempre terá de fazer por merecê-las.
Minha experiência
Um grande fardo foi retirado dos meus ombros no dia em que finalmente entendi que o mundo não devia nada a mim.  Por muitos anos acreditei que havia coisas a que eu tinha direito pelo simples fato de ter nascido.  E isso fez com que eu passasse por grandes desgastes — físicos e emocionais — em minha tentativa de coletar esses "direitos".
Ninguém deve a mim respeito, amizade, amor, cortesia, conduta moral ou inteligência.  O mundo não me deve nada.  E tão logo eu passei a reconhecer isso, todas as minhas relações imediatamente se tornaram muito mais gratificantes.  Concentrei-me apenas em estar com aquelas pessoas que queriam fazer as coisas que eu queria que elas fizessem.
Essa compreensão de mundo permitiu que eu me desse bem com amigos, sócios comerciais, clientes, amores e estranhos.  Sou constantemente relembrado de que só irei conseguir o que quero se puder entrar no mundo da outra pessoa.  Eu tenho de entender como ela pensa, o que ela crê ser importante e o que ela quer.  Somente assim eu poderei ser útil para ela e, com isso, conseguir as coisas que eu quero.
E somente então eu serei capaz de discernir se eu realmente quero estar envolvido com tal pessoa.  Isso me permite selecionar bem as minhas relações, poupando-me de dissabores; e me permite também direcionar minhas energias apenas para aquelas pessoas com as quais eu realmente tenho mais coisas em comum.
Não é fácil resumir em poucas palavras aquilo que levei anos para aprender.  Porém, talvez se você reler esse presente a cada Natal, seu significado ficará mais claro a cada ano.
Eu realmente espero que isso aconteça.  Sendo seu pai, quero acima de tudo que você entenda essa simples verdade, a qual pode libertá-la para sempre.
Um Feliz Natal, minha filha!

quinta-feira, 7 de março de 2013

We Were Evergreen

 Eu adoro quando encontro uma banda aleatória que rouba minha atenção e quando eu vou ver eles já existem a 5 anos e tem 3 discos e eu posso ouvir muitas musicas!!


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

portas de aço


o ministério do amor era realmente atemorizante. 
não tinha janela alguma. 
winston nunca estivera lá, 
nem a menos de um quilometro daquele edifício. 
era um prédio impossível de entrar, 
exceto em função oficial, 
e assim mesmo atravessando um labirinto de rolos de arame farpado, 
portas de aço 
e ninhos de metralhadoras. 
até as ruas que conduziam às suas barreiras externas
eram percorridas por guardas de cara de gorila 
e fardas negras, armados de porretes articulados. 

1984 :: Orwell